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Património Imaterial
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Gaita de Foles Transmontana
A Gaita-de-fole de Trás-os-Montes (também chamada de "Gaita Transmontana" ou "Gaita Mirandesa") é tradicionalmente de construção artesanal e partilha semelhanças morfológicas com as gaitas-de-fole de Sanabria, Aliste ou Zamora, comarcas espanholas fronteiriças. Possui um ponteiro de furação larga, com digitação aberta, preso no pescoço de um fole de cabrito, assim como um bordão de grandes dimensões, preso na pata direita, e um assoprete, preso na pata esquerda. A sua tonalidade pode oscilar entre Si, Si bemol e Lá, dependendo dos artesãos, e exibe intervalos próximos dos usados na música da região, sobretudo na flauta pastoril ("Fraita", em Mirandês) e vocal.
A gaita-de-foles é a clássica gaita pastoril ou gaita-galega, mais estridente, por via de regra, do que as similares da Galiza: é também mais tosca e por isso mais típica.
Construção
As práticas musicais e os próprios materiais de construção dos instrumentos estão profundamente envoltas no contexto agro-pastoril desta região. Mas a Gaita-de-fole transmontana conserva ainda alguns aspetos das tecnologias pré-industriais e dos saberes a elas associados: tradicionalmente eram os próprios gaiteiros que procuravam e escolhiam as madeiras adequadas, selecionavam o cabrito do qual se fazia um fole e não raras vezes, fabricavam as suas próprias palhetas, para além de fazerem depois os entalhes decorativos nas peças da gaita, com uma mão habilidosa e uma simples navalha.
O típico gaiteiro transmontano assume, portanto, a figura do "Gaiteiro total": é ele que afina e faz a sua própria gaita, aprende e ensina repertório e técnicas e naturalmente, é ele o "rei da festa", quando é solicitado para animar os bailes e festas comunitárias.
Atualmente começam a surgir alguns artesãos que procuram construir gaitas transmontanas com as ferramentas industriais hoje disponíveis: tornos elétricos, ferramentas de precisão, ferros de furação em aço temperado, etc.
Isso tem levado ao surgimento de gaitas deste modelo que têm características mais estáveis e precisas do que os modelos mais antigos - inclusive, já permite que várias gaitas transmontanas afinem e toquem em conjunto, mantendo as suas características tímbricas e musicais únicas.
Outros Instrumentos associados
A flauta pastoril, mono tubular de três buracos, em mirandês fraita, feita ao torno manual, é de pau de buxo, ou de freixo e tocada só com três dedos duma mão: o polegar, o indicador e o médio.
Os buracos são abertos ao fundo, dois na frente e um na retaguarda. Os buracos da frente são utilizados pelos dedos indicador e médio, o buraco da retaguarda pelo polegar da mão esquerda, enquanto a direita toca o tamboril com a baqueta.
O tamboril é um pequeno tambor que se toca com duas baquetas.
As castanholas são feitas à navalha e enfeitadas com desenhos à ponta da mesma navalha.
Registos históricos específicos do Concelho de Mogadouro a salientar:
1609: Severim de Faria registou os gaiteiros de Mogadouro (descrição relativa a Vila de Ala): …” os instrumentos que tangem são gaitas de fole que tocam com gentil arte e destreza” …
1902: Trindade Coelho:
…” nós marchámos (…) e pouco depois, adiante, um pastor descia um monte à frente do rebanho de ovelhas, a tocar uma gaita de foles!” …




Concelho de Mogadouro
Participação em Festas e Romarias